Ainda não tem o livro?

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Para quem não conseguiu ir ao primeiro lançamento, basta mandar um e-mail para historiadagua@gmail.com para receber o livro em casa.

Cada um custa R$35,00 (frete incluso).

E aguardem os próximos lançamentos:

Dia 15/12 em Casa Branca/MG

Dia 26/01, em BH, parte da programação do Verão Arte Contemporânea.

Em breve, as fotos do primeiro lançamento

Abraços a todos

Laura

A Orelha

DO CONTRÁRIO NÃO É CASA

(por Eduardo Jorge)

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P.J. Harvey

Existe uma casa que se recusa a ser familiar. Seus ângulos e fachadas enganam os que com eles se encantam, seja por sua beleza, seja por sua história. Em uma das investidas chamaram-na de um museu pessoal e incompreensível. Sim, existe uma casa que nunca será nossa. E talvez seja justo aquela que acreditamos possuir. Com alguma habilidade ela pode ser enviada pouco a pouco, via postal. Não há heroísmo em habitá-la, mas com um pouco de paciência será possível criar a ambiência de um verso. E ainda por cima dar tônus a personagens até então inexistentes. Do outro lado, uma voz à margem da página diz que a literatura não quer salvar ninguém. Nem a si mesma. No meio de tudo, ela é irresponsável. Se a partir desse momento, ouve-se uma música, é porque há quem confie que a melodia contida nas coisas traga algo perdido no decorrer dos anos. Traduções, ensaios, partituras, enfim, ficções dão aos solitários o tom de uma comunidade emocionante. Alguns exercícios de ficção nos levam a morar em uma casa a qual não temos propriedade. Simplesmente não temos ideia de como fomos parar ali. Ilegalmente, vamos ocupando-a. Migrando de história em história, cruzando fronteiras por demais íntimas, ininteligíveis. No entanto, há alguma alegria que nos faz buscar personagens para habitar nossos modos de existência, mesmo sabendo que a casa pode cair. A casa, dita de outro modo, é um linha tênue, muito fina e bem esticada. Se há momentos em que nos confundimos com os personagens, isso nos iguala na condição de funâmbulo. É preciso seguir a linha. Correr o risco. O fato é que as casas continuam suspensas, flutuam tomando de empréstimo o nome de Odisseu, para praticamente terminar em uma ilha. Há quem coloque como meta habitar uma ilha dentro de uma ilha, dentro de outra e assim sucessivamente até chegar em algo que caiba na palma da mão. Ou na ponta de um dedo. Enquanto isso, os nomes seguem por suas naus. Logo um encontrará um outro. Mas essa história não pertence mais a casas ou a embarcações: trata-se da história da água.

Sobre História da Água

História da Água narra vários reencontros de três irmãos que, após o divórcio dos pais, passam a viver em países diferentes. Da tempestade a um simples copo d’água, o elemento está sempre presente como personagem ou cenário no romance. Narrado em pontos de vista que se alternam, o livro está centrado em Eira, a irmã do meio, que possui uma antiga relação com a água: ex-nadadora, foi afastada da piscina por causa de um grave acidente. Enquanto continua vivendo no Brasil, seu irmão mais velho se forma em regência em Nova York e sua irmã mais jovem estuda música em uma pequena cidade austríaca. Entre viagens, estes irmãos trocam correspondências diárias de e-mails, telefonemas, cartas, postais, presentes, objetos antigos livros ou simplesmente pensamentos que procuram encontrar uma casa comum, uma casa que esteja afastada de certos acontecimentos terríveis com os quais os três terão de lidar.

Laura Cohen Rabelo nasceu em Belo Horizonte, em 1989 e está se formando em Letras pela UFMG. Foi vencedora do segundo prêmio de literatura Universidade Fumec, em 2011, com o conto Boneca de Corda e em sua edição de 2009 obteve o terceiro lugar, publicando nas duas edições da coletânea Da Palavra à Literatura – Narrativas Contemporâneas. Desenvolve também trabalhos ligados às artes plásticas. Fez a sua primeira exposição individual – Catálogo – com desenhos, pinturas e objetos em junho de 2012. História da Água é o seu primeiro romance.